Assisti um filme que me fez pensar bastante em algumas
situações na vida, o nome é Laranja Mecânica um filme alternativo do bem
conceituado Stanley Kubrick, elogiado por uns e criticado por outros.
O enredo trata-se de um jovem(Alex) que gosta de praticar a
violência juntamente com sua gangue, no meio de um de seus ataques é pego pela
polícia onde tem de cumprir dois anos de cadeia e é submetido a um tratamento
para eliminar a violência de sua mente, após o tratamento Alex torna-se incapaz
de fazer mal a uma mosca, aproveitando-se de sua fragilidade é então que todos
aqueles a quem ele prejudicou resolvem se vingar, e em um ato de desespero o
jovem tenta o suicídio, com isso é usado como munição contra o governo que para reverter a situação resolve protegê-lo.
Enfim... O filme é muito interessante, mas não estou aqui
para criticar o filme em si, o que chamou a atenção é a forma como a mente de
Alex é manipulada durante o tratamento para sua cura. Um garoto bonito,
inteligente, brilhante, transformado pela sociedade em um grande saco de esterco
ambulante sem atitudes próprias, pois essa é a reabilitação imposta!
Se analisarmos a reação de indignação das pessoas ao
assistir o filme, na realidade não é a "ultra-violência" ou as cenas
de sexo em si que incomodam, mas a forma natural como a qual esses atos são
tratados pelos jovens. Ao meu ver é isso que as pessoas sentem ao assistir o
filme, principalmente nas cenas mais marcantes: "Como alguém pode fazer
isso? A mãe deles não ensinou que aquilo era errado?", voltamos então ao ato
de desbastar fazendo com que nos sintamos envergonhados, Alex e seus drugues
aparentam não possuir o fragmento censurado em suas personalidades, o que faz
com que seu parcela sádica aja sem exprobração.
Levo o tema ainda mais além, o tratamento imposto ao jovem
para livrar-se da ultra-violência é a própria exposição a violência, de forma
que ele não possa ser responsável, ou seja, responder por suas atitudes quando
trata-se de infligir as 'leis' que lhe foram impostas, logo, não roubar, não
matar, não brigar, não transar...
Quantas vezes somos podados como se nossos atos fossem
totalmente incorretos? Isso abordando um contexto geral da vida, alguém colocou
em nossas mentes que não podemos mentir, que não podemos trair, e tantas outras
coisas que não são permitidas. Crescemos então com uma censura psicológica
enraizada em nossas mentes.
Mas sabe o que nunca nos disseram? Que devemos tomar nossas
decisões por nós e não pelas outras pessoas. Nos ensinaram a ser éticos, a agir
dentro do padrão de "normalidade" e nos disseram que uma pessoa que
não é aceita, não é feliz! Criaram as regras em scripts para que tivéssemos que
segui-las.
Foram tão longe com essas afirmações que criaram leis,
religiões, ditaduras... E nós, por não nos responsabilizarmos por nossos
próprios atos, seguimos!
Pergunto-lhe então... Alguém, algum dia lhe ensinou o que é
ser responsável? O que é ser fiel? O que é felicidade? Ou você simplesmente leu
mais um script?
Não ser vingativo porque vingança não te agrega nada e cada
um tem o que merece, não mentir pois toda traição é uma mentira, não trair não pelo
outro, por achar que ele não merece mas porque você não merece, porque você não
precisa, porque você se respeita e por se respeitar você quer que todas essas
regras vão para o espaço, juntamente com núcleo da normalidade.
Devemos nos soltar dessas censuras impostas, destas regras,
devemos agir de acordo com nossa índole.
Quando você toma uma determinada atitude e depois se sente
culpado, já parou para se perguntar se o sentimento de culpa é porque você agiu
diferente de seus princípios ou se é porque você agiu diferente da censura a ti
imposta por vários fatores? Complicado diferenciar não é?
De que adianta pensar de uma forma, se agir de outra
totalmente diferente? Um homem é medido pelos seus atos e não pelos seus
sentimentos.
Você é fiel a sí ou se permite ser manipulado?
Obs. Este texto não trata-se de uma crítica ou uma explicação do filme Laranja Mecânica, mas de alguns de meus devaneios pessoais ao assistir o mesmo, Kubrick é gênio demais para que no momento eu possa expressar alguma critica infeliz a respeito desta obra de arte!

Adoro "Laranja Mecanica da Aflição"! (rs)
ResponderExcluirAgora, aquelas pessoas que desrespeitam os outros: - foram ensinadas a ser "espertas"?; - são fdp* mesmo ?; - as duas coisas?
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirPenso que o sentimento de culpa nos aflige quando pensamos que fazemos papel de idiotas. Se alguém aprovar a sua atitude, o sentimento muda instantaneamente. E sabe-se que más atitudes sempre têm seus discípulos. Não precisamos de culpa; precisamos da platéia certa.
ResponderExcluirBjo
Preferível a interpretação de que ao invés de manipulado, foi devidamente adequado a novas regras de comportamento as quais demonstrava dificuldade em aceitar. É perceptível que o personagem passa de sádico a um estado passivo, passando literamente de suas negações até sua aceitação.
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